A oferta pública inicial (IPO) da HashKey em Hong Kong teve uma recepção morna, à medida que o mercado de criptomoedas esfria.

A HashKey Holdings, operadora da maior corretora de criptomoedas licenciada de Hong Kong, teve uma estreia discreta na bolsa de valores de Hong Kong na quarta-feira, com suas ações fechando o dia praticamente estáveis em meio a uma queda generalizada no mercado de criptomoedas.
As ações da empresa caíram 0,15% no primeiro dia de negociação, dando à HashKey uma avaliação de mercado de cerca de HK$ 18,4 bilhões (US$ 2,4 bilhões). As ações chegaram a subir brevemente para HK$ 7,12 no início do pregão, antes de fecharem a HK$ 6,67, um pouco abaixo do preço do IPO de HK$ 6,68.
A HashKey arrecadou aproximadamente HK$ 1,6 bilhão (US$ 207 milhões) com a venda de quase 241 milhões de ações, precificando a oferta perto do topo da faixa de preço divulgada, de HK$ 5,95 a HK$ 6,95. A empresa afirmou que planeja usar o novo capital para modernizar sua tecnologia e infraestrutura, expandir sua equipe e fortalecer seus sistemas de risco e conformidade.
Fundada em 2018, a HashKey é uma das 11 empresas aprovadas pelos reguladores de Hong Kong para fornecer serviços de negociação de criptomoedas a clientes de varejo e institucionais. De acordo com seu prospecto, a corretora responde por mais de 75% do volume de negociação de ativos digitais regulamentados em Hong Kong, citando dados da Frost & Sullivan.
Além de Hong Kong, a HashKey opera em Singapura, nos Emirados Árabes Unidos e nas Bermudas, e obteve aprovações regulatórias no Japão e na Irlanda, embora as negociações ainda não tenham sido iniciadas nesses mercados. Em setembro, a empresa reportou um volume acumulado de negociações à vista de HK$ 1,3 trilhão.
A HashKey também administra cerca de HK$ 7,8 bilhões em fundos de ativos digitais, abrangendo estratégias de capital de risco e mercado secundário. Além disso, oferece uma gama de serviços de blockchain, incluindo tokenização, que envolve a emissão de tokens digitais atrelados a ativos do mundo real, como títulos e imóveis.
Financeiramente, a empresa enfrentou dificuldades recentemente. A receita no primeiro semestre do ano caiu 26% em relação ao ano anterior, para HK$ 284 milhões, em grande parte devido à menor atividade de negociação. O volume de negociação à vista diminuiu 38%, para HK$ 214 bilhões no mesmo período. Apesar da queda na receita, a HashKey conseguiu reduzir seu prejuízo líquido para HK$ 506,7 milhões, ante HK$ 772,6 milhões no ano anterior, graças à redução dos custos administrativos.
O crescimento da base de clientes, no entanto, permaneceu forte. Em junho, a HashKey relatou 1,4 milhão de usuários registrados — três vezes mais do que no ano anterior.
O IPO ocorre em um momento desafiador para o setor de criptomoedas. Após uma forte valorização no início do ano, o entusiasmo dos investidores diminuiu. O Bitcoin caiu mais de 30% desde sua máxima em outubro, em torno de US$ 126.000, atingindo a mínima em oito meses, à medida que os investidores se afastam de ativos mais arriscados.
A HashKey foi fundada por Xiao Feng, vice-presidente do Grupo Wanxiang, um importante conglomerado chinês com interesses que abrangem autopeças e energia. O maior acionista da empresa é Lu Weiding, bilionário presidente e CEO da Wanxiang, que detém quase 40% da HashKey e integra seu conselho administrativo.
A Wanxiang é conhecida como uma das primeiras investidoras institucionais chinesas no ether, a segunda maior criptomoeda do mundo. O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, já afirmou que o grupo comprou 410.000 ethers em 2015 a cerca de US$ 1,20 por token — uma participação que agora vale bem mais de US$ 1 bilhão aos preços atuais.
Mais recentemente, a HashKey levantou US$ 343,7 milhões em uma rodada de financiamento Série A em agosto, que avaliou a empresa em US$ 1,65 bilhão. Sua lista de investidores pré-IPO inclui Gaorong Ventures, Meitu Investment, OKG Ventures, Fidelity International e CMB International Capital.
Embora a estreia pública da HashKey não tenha gerado uma valorização expressiva no primeiro dia, a listagem ainda representa um marco para o mercado de criptomoedas regulamentado de Hong Kong — um mercado que agora enfrenta o desafio de navegar em um clima de investimento mais frio e cauteloso.
Aviso: Este artigo é um resumo reescrito. A reportagem original foi publicada na Forbes e pode ser encontrada em [link para a reportagem original]. https://www.forbes.com/